sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Sand in my shoes...


O real e a ilusão se confundem nos limites dos seus olhos castanhos. O que vejo e o que sinto se misturam com o que desejo e o que espero. Difícil explicar o que sinto, difícil definir o que quero, difícil até mesmo escutar o que penso. Os seus olhos e o seu jeito de menino são como um oásis no deserto desses dias quentes e solitários. Mas a água que você oferece não é assim tão refrescante... é atraente, mas parece conter mais dor do que prazer, mais mágoas do que sorrisos e um preço muito alto a pagar. E eu sei que você sabe que eu vou me manter aqui no deserto só olhando as promessas da sua sombra, imaginando as delícias do seu ar, querendo sem querer, desejando sem viver, esperando que a areia do tempo cubra essa paisagem, essa sede, essa verdadeira miragem...

I've still got sand in my shoes
And I can't shake the thought of you
I should get on, forget you
But why would I want to?
I know we said goodbye
Anything else would've been confused but
I wanna see you again


Música de fundo - Dido - Sand In My Shoes

Imagem: Deviant Art (lindíssima)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Devaneios...

Cedo ou tarde você acaba percebendo que metade das suas crenças eram equivocadas e passa os dias tentando descobrir em que acreditar. Percebe que nem todas as pessoas são ruins e nem a metade das que você acreditava são realmente confiáveis. Percebe que sorrisos nem sempre são sinceros e lágrimas podem ser utilizadas para convencer e comover. Finalmente enxerga que mesmo os sentimentos podem ser meros objetos de pessoas sem um pingo de compaixão ou suavidade. Nota que algumas pessoas possuem uma facilidade imensa e um desejo perverso de mentir e enganar a qualquer custo. Mas existem coisas que, apesar de você perceber, descobrir ou notar, você nunca, jamais, em tempo algum irá entender. Porque algumas coisas só é possível entender quando se sente, e a maldade, a frieza, a crueldade são sentimentos que só se entende quando se possui, ou deixa de possuir motivos para procurar algo diferente disso...



P.S.: Ando meio sem palavras ultimamente, vida corrida, mas estou muito feliz! Às vezes alguns acontecimentos me fazem pensar sobre essas coisas, observando as crianças, adolescentes e adultos na escola onde passo a maior parte do meu tempo de trabalho. O ser humano é complicado, mas é lindo de se observar e pensar a respeito (ao menos eu adoro!). Enfim, só reflexões, nada mais...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Desejo, necessidade, vontade...


Pode existir uma grande diferença entre o que se deseja e o que se faz. O desejo é livre de critérios, de filtros, de qualquer cobrança. O desejo é puro, é instintivo, regado de boa parte das coisas que o homem sequer compreende. Ele acontece, simplesmente, nos momentos mais inusitados, com as pessoas mais inesperadas. Sem aviso, sem remédio, sem mais. O certo e o errado não estão no desejar ou não desejar. Estão no que se faz do desejo, no que se decide a partir dele. O seguir ou não seguir. Dar vazão ou não... consquistar ou recuar. Ser correto, fazer o certo, não significa que não se deseje o errado, que não se pense no errado, que não se sonhe com o "pecado". Significa que você controla seus instintos e não segue essas pulsões. Significa agir como se deve agir, mesmo desejando o contrário, mesmo que os seus instintos, seu corpo, sua mente joguem contra a razão... Nada nesse universo passa despercebido, nenhuma ação sem reação, nenhum ato sem sua contrapartida. E é por isso que, mesmo quando somos bons, também temos um preço a pagar...


Mas eu acredito sinceramente que a recompensa também é muito maior, compensando completamente todo o esforço que o auto-controle exige...

Imagem: Deviant Art

domingo, 18 de outubro de 2009

Jogos Mortais...


Olhava para os lados, procurando uma companhia, alguém com quem conversar entre tantas vozes e rostos. Sentia-se perdida naquela multidão de pessoas, a maioria mulheres que, como ela, estavam ali procurando uma resposta, um caminho, uma pequena mudança que fosse em sua pacata vidinha de uma rotina completamente controlada pelo tempo. Sorria algumas vezes, escutando uma conversa chata sobre silicones e celulites, coisas que ela achava absolutamente desinteressantes e irrelevantes.

Foi até a mesa dos doces cobiçando desde longe aquele enorme brigadeiro. Estendeu a mão para ele, quando outra mão acabou pegando na sua, cobiçando o mesmo doce. O sorriso foi a primeira coisa que percebeu, lindo... ficou olhando para aquela boca e nem mesmo percebeu quando aquele homem falou com ela. Ele sorriu novamente e repetiu o comentário
- Vai pegar esse doce?
- Vou sim, brigadeiros fazem parte da minha dieta diária... coisa de mulher saudável!

Sorriram. Silêncio. Olhos nos olhos. Esperando o próximo passo. Conversaram. Falaram de tudo e de nada. Corpos e olhos dizendo aquilo que a boca não poderia dizer. Gestos e toques casuais despertando a vontade do contato, aguçando as percepções, o desejo.
- Eu vou com você até o seu carro - disse ele.
- Que bom, preciso mesmo que alguém me ajude a encontrar a saída!

Falaram mais, sorriram mais...
- Eu posso entrar em contato com você outro dia? Gostaria de conversar com você sobre tantas outras coisas...

Ela estendeu a mão e entregou-lhe um pequeno cartão de visitas com todas as formas possíveis de encontrá-la. Sorriu, beijou aquele rosto forte, ainda iluminado pelo sorriso, entrou no carro e foi embora, torcendo para que o destino ajudasse, que pudesse ver novamente aquele belo homem, dono daquele belo sorriso...


Imagem: Deviant Art

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